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sábado, 16 de março de 2013

Política da moda


Silvania de Deus: sem políticas públicas para o setor, a estilista mantem ateliê na Praia de Iracema, desde 1994, apostando num trabalho autoral

Importante setor da indústria, a moda conquista espaço nas discussões sobre políticas públicas. Embora reconhecida pelo Ministério da Cultura, em âmbito local a linguagem busca regulamentação
A moda é o reflexo de um tempo. Revolucionária, vê suas constantes mudanças acompanharem o virar das estações e este fator, em caracol, refletir imediatamente no campo criativo e na indústria têxtil.
O calendário 2013 da moda brasileira começa a passar suas primeiras folhas. A partir de amanhã, o prédio da Bienal no Parque Ibirapuera de São Paulo, tem seus corredores habitados por designers, estilistas e aficionados pelo universo do estilo. É quando inicia a temporada de verão da São Paulo Fashion Week, o principal evento de moda brasileiro. Em abril, Fashion Rio, Minas Trend e o cearense Dragão Fashion Brasil também entram em cena.
O destaque recebido pelas semanas de moda se deve, em parte, à boa maré econômica pela qual o País vem passando. Dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT) apontam o Brasil como o 5º maior parque têxtil do mundo. São 30 mil empresas formais registradas no segmento, empregando cerca de 8 milhões de pessoas. Em números de faturamento, a cadeia brasileira do setor participa com 5,5% do arrecadamento total da indústria de transformação do País.
Esse crescimento acaba se refletindo também numa preocupação maior do poder público. O Ministério da Cultura passou a compreender a moda como linguagem artística a partir de 2010, durante o I Seminário de Cultura da Moda, realizado em Salvador. No Ceará, embora a legitimação da linguagem tropece em percalços políticos, nota-se um grupo de profissionais heterogêneo e ávido por um lugar sob os holofotes.
O designer de moda Antônio Pinto encabeça o debate para a regulamentação da linguagem junto ao Conselho Municipal de Política Cultural (CMPC). Ele explica que no Caderno de Diretrizes e Propostas do Plano Municipal de Cultura foram apresentadas diretrizes da linguagem moda dentro de eixos específicos. “Essas diretrizes são acompanhadas de propostas dos integrantes do Fórum Permanente de Moda (composto por estilistas, figurinistas, modelistas e áreas afins) e que servirão como base de trabalho para a implementação das mesmas frente a um projeto de cidade, onde moda e cultura tenham seus espaços como dimensão artística e comercial”.
No entanto, as linguagens moda, humor e mídias digitais não foram representadas na formação do CMPC, para o biênio 2013-2015, porque o projeto de formalização e reconhecimento dessas linguagens nunca foi enviado para a Câmara Municipal. “Agora que tomei conhecimento que este processo não foi enviado pela antiga gestão, será uma medida que eu terei de tomar por aqui”, promete Magela Lima, secretário municipal de cultura. “Enquanto isso, os representantes da moda não podem votar no conselho, mas podem participar das reuniões”.
A consultora pelo Ministério da Cultura para elaboração do Plano Estadual de Cultura do Ceará (PEC/CE), Aline Lima, afirma que foram realizados encontros setoriais em 14 microrregiões do Estado. “A moda foi um setor no qual não conseguimos identificar um grupo organizado. Como é uma área que só há pouco foi reconhecida pelo MinC no Conselho Estadual de Cultura, ainda não há representante da área”, explica a consultora.
A estilista Ruth Aragão, integrante do Fórum Permanente de Moda de Fortaleza, explica que o grande desafio para a formação do coletivo é a articulação e o debate acerca de uma política cultural para a Moda no Ceará. Ela sustenta que isso exige uma aproximação dos criadores, das instituições de ensino e dos representantes dos setores têxteis. “Objetiva-se, com o Fórum, a participação na construção de uma política de Estado para a cultura e, consequentemente, para a moda, em contraposição à fragilidade e efemeridade de uma política de Governo”.
 
Fonte: JORNAL O POVO | Vida & Arte | Matéria: Igor de Melo | robinson@robmaqmoda.com.br | Tel.: 95039-4106
Republicação: 012-13 Blog Robmaq Moda | Blogueiro: Robinson Silva | Grupo Robmaq | www.robmaqmoda.com.br










terça-feira, 3 de abril de 2012

Escola de moda japonesa discute cooperação com o Brasil

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Os números da moda

O mercado de moda
 

Hoje, a moda brasileira consagra-se como um grande negócio, reconhecido internacionalmente. No Brasil, o setor é considerado pelo Ministério da Cultura como uma expressão da diversidade cultural do país e detentora de grande potencial econômico.
Podemos ilustrar o crescimento do setor observando o São Paulo Fashion Week, o maior evento do país que movimenta números crescentes de investimentos. Desde a primeira edição o evento já atraiu cerca de 1,8 milhão de pessoas. Ocorrendo duas vezes ao ano, o São Paulo Fashion Week movimenta no mínimo R$ 1,8 bilhões em negócios, gerando a cada edição mais de 5 mil empregos diretos e indiretos. A cada edição são investidos cerca de R$ 8 milhões no SPFW, sendo que a 29ª edição chegou ao número de R$ 13 milhões investidos.
A cidade de São Paulo conquistou esse ano a 8ª posição na lista mundial de capitais da Moda elaborada pela Global Language Monitor (GLM), tendo subido 25 posições. O Rio de Janeiro, outra capital nacional que exerce influência no setor, se encontra em 18ª posição na lista.
O Brasil é o 6º maior parque têxtil do mundo, sendo o terceiro maior produtor de malhas e o segundo maior na produção de denim. Além disso, o país é auto-suficiente na produção de algodão. Referência nos segmentos jeanswear, homewear e beachwear, o país produz anualmente 9,8 bilhões de peças de vestuário.
O setor têxtil é responsável por 17,5% do PIB da indústria de transformação nacional e por cerca de 3,5% de todo o PIB do Brasil.(5)Toda a cadeia produtiva soma um total de aproximadamente 30 mil empresas, movimentando US$ 46 bilhões/ano e empregando 1,65 milhão de trabalhadores.
As empresas de pequeno e médio porte representam quase 70% da produção, no entanto, a maior parte dos empregos do setor é gerada nas empresas de pequeno porte.
O recorte por público-alvo mostra que são as mulheres as grandes consumidoras de moda no país, correspondendo a 41% da produção, o público masculino 35%, a moda infantil 18% e a moda bebê, apenas 5%.
Em 2008, o saldo da balança comercial foi US$ 1,408 bilhões. Já em 2009 esse número passou para US$ 1,585 bilhões. As exportações totais chegaram a US$ 1,896 bilhões e as importações a US$ 3,481. Segundo Ulrich Kuhn, presidente da SINTEX (Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e Vestuário de Blumenau) em entrevista à 45ª edição da Revista Digital ABIT/Texbrasil, é esperado para o ano de 2010 um aumento de 12% no consumo de têxteis.


Fontes:
www.cultura.gov.br/site/pnc/diagnosticos-e-desafios/manifestacoes-culturais/moda/
www.fashionbubbles.com
www.abit.org.br